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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Quem tem medo do Ministério Público?

   Entre os escândalos políticos brasileiros de grande repercussão, pode-se dizer que a maioria teve o dedo do Ministério Público no descortinar das investigações. No Brasil, exemplo recente e emblemático é o mensalão; no Ceará, prefeitos foram parar atrás das grades graças a processos de investigação que tiveram o MP na linha de frente. A participação de promotores de Justiça na apuração de crimes em todo o País, porém, pode estar com os dias contados.

Uma decisão a ser tomada em Brasília poderá mudar a correlação de forças do Ministério Público em investigações criminais. Na última quarta-feira, Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37/11, que atribui, exclusivamente, às polícias Civil e Federal, a competência para a apuração criminal.

De autoria do deputado Lourival Mendes (PTdoB-MA), a PEC deixa claro que o Ministério Público não poderá conduzir investigações e deverá atuar apenas como titular das ações penais na Justiça.

No Ceará, a possibilidade de serem afastados das apurações criminais levou promotores a tratar a proposta que tramita em Brasília como “PEC da Impunidade”, “PEC da Malvadeza” e até “PEC da Mordaça”. Para eles, a aprovação da proposta é um retrocesso provocado pela pressão de supostos interessados no afastamento do MP das investigações. Algo que pode representar o fim das prisões de políticas e, até, da aplicação integral da Lei da Ficha Limpa.

“Tudo não passa de jogo de interesses e de poder”, interpretou o promotor de justiça Ricardo Rocha. “A quem interessaria, pois, mais uma vez calar o Ministério Público, pondo a democracia em perigo?“, continuou ele. O também promotor Eloílson Landim, não titubeou em apontar resposta, na tarde de ontem: “A quem servem as pessoas que aprovam esse projeto? São pessoas ligadas aos investigados, que representam interesses do poder público”.

Para os promotores, as polícias Civil e Federal - chamadas polícias judiciárias -não têm autonomia para conduzir investigações criminais com a mesma isonomia do Ministério Público. Também compartilha dessa visão o procurador eleitoral Marcio Torres. Ele, que também tem conduzido muitas das investigações que desbancaram políticos envolvidos em corrupção no Ceará, trata a decisão do Congresso como “um retrocesso”.

Com ponto de vista contrário ao dos promotores, o advogado criminalista Leandro Vasques defende que, embora a OAB reconheça “a boa intenção e relevância do MP”, também compreende que o pacto federativo determina que é exclusivamente da polícia a competência de investigar crimes.

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