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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Agnelo nega 'central de grampos' e diz que vai investigar denúncias

O secretário de Governo do DF, Paulo Tadeu, dá entrrevista após reunião com o governador Agnelo Queiroz e a deputados da base de apoio (Foto: Felipe Néri/G1)
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, reuniu 18 deputados da base aliada e quatro secretários na tarde desta quarta-feira (18), na residência oficial de Águas Claras, para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de um suposto esquema clandestino de escuta telefônica de políticos e adversários. O GDF nega a existência de uma central de grampos e informou que vai investigar o caso.
“Se qualquer membro do governo tiver participado de qualquer ação desse tipo, o governador irá dar o exemplo e pedir demissão desse servidor e processo para ele responder na Justiça”, afirmou o secretário de Governo, Paulo Tadeu, ao final da reunião, que durou cerca de três horas e meia.

Segundo Tadeu, o governador pediu que as polícias Militar e a Civil investiguem as denúncias.
"O governador tem convicção de que nenhum membro do governo fez qualquer tipo de ilegalidade ou arapongagem", afirmou Tadeu.
Nesta terça (17), a oposição obteve o número necessário de assinaturas para a abertura de uma CPI na Câmara Legislativa para investigar a denúncia de que a Casa Militar teria realizado 80 grampos telefônicos clandestinos, incluindo de deputados distritais e de pelo menos um federal.
O porta-voz do GDF, Ugo Braga, disse que as denúncias são infundadas. "Essa informação é um absurdo completo, não tem o menor cabimento."
A leitura do requerimento de criação da CPI, prevista para ocorrer na tarde desta quarta, foi adiada para a próxima terça-feira. Os deputados decidiram abranger as investigações dos supostos grampos para o período entre 2001 e 2011.
Prisão
Nesta quarta-feira, a deputada distrital Celina Leão (PSD) pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a prisão preventiva do governador Agnelo Queiroz, pela suposta violação de dados pessoais de adversários políticos.
A assessoria do STJ confirmou que o pedido foi protocolado, mas não divulgou o teor da representação.
O porta-voz do GDF criticou a representação da deputada. “Essa pedido é estapafúrdio, sem noção com a realidade. Nunca houve divulgação de dados restritos. A Casa Militar é amparada pelas normas de segurança quando algum fato coloca em risco a segurança do governador”, disse Braga.

  De acordo com reportagem da revista “Veja” deste final de semana, dois policiais militares lotados na Casa Militar do Palácio do Buriti fariam parte de um setor de inteligência do governo do DF e teriam utilizados computadores instalados na sede do governo para verificar dados do Infoseg – sistema de responsabilidade do Ministério da Justiça que reúne informações sobre todos os brasileiros, desde número de documentos pessoais até endereços e pendências judiciais.
  De acordo com a reportagem, os dados do vice-governador do DF, Tadeu Filippelli, teriam sido obtidos por um "núcleo de inteligência do gabinete do governador Distrito Federal". Os dois policiais militares teriam ainda conseguido acessar as informações pessoais do deputado federal Fernando Francischini, do PSDB do Paraná.
  O porta-voz do GDF, Ugo Braga, reafirmou nesta quarta que apenas dados do deputado Francisco Francischini (PSDB-PR) e do jornalista Edson Sombra – ligado ao ex-secretário do GDF Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM – foram acessados por “terem feito ameaças ao governador ou a seus familiares”.

CPI do Cachoeira será criada nesta quinta, diz Rose de Freitas


A deputada federal Rose de Freitas (Foto: Nathalia Passarinho / G1)A deputada federal Rose de Freitas (Foto: Nathalia
Passarinho / G1)
A presidente em exercício do Congresso, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), confirmou na tarde desta quarta-feira (18) que a leitura do requerimento para ciação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que irá investigar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos, autoridades e empresários será feita às 10h30 desta quinta
    A confirmação ocorreu após encontro entre Rose de Freitas e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Antes, ela havia se encontrado com líderes partidários. Ela afirmou também que todas as assinaturas necessárias para a criação da CPI foram conferidas.
“Marcamos para amanhã às 10h30 a convocação do Congresso. Já foi feita a conferência das assinaturas, falamos com todos os líderes. Esse é o entendimento. Que amanhã às 10h30 será feita a leitura da CPMI”, afirmou Rose de Freitas.
Rose de Freitas é vice-presidente da Câmara e do Congresso e será responsável pela instalação da CPI em razão da licença médica do presidente do Senado e do Congresso, José Sarney, que está internado em São Paulo.

   De acordo com a vice-presidente do Congresso, foram coletadas 67 assinaturas de senadores até o momento e 362 de deputados. Eram necessárias, no mínimo, 27 assinaturas no Senado e 171 na Câmara. Ela afirmou que espera o comparecimento da maioria dos deputados e senadores na sessão que terá a leitura do requerimento de criação da CPI.
“Espero quer todos compareçam. Eles sabem que para que a sessão seja realizada e a leitura seja feita é necessário quórum. Não acredito que eles façam todo esse esforço para que amanhã não compareçam”, disse.
Segundo Rose de Freitas, os partidos terão até a próxima terça (24) para indicar os membros da comissão - 15 deputados e 15 senadores. Ela afirmou que os trabalhos da CPI devem ter início um dia depois da apresentação dos nomes, na quarta (25).
“Faço a leitura amanhã e dou o prazo até terça-feira para que todos os partidos indiquem os membros. Depois da indicação dos membros, devemos instalar, talvez no mesmo dia, ou na quarta-feira. Acredito que na quarta-feira seja melhor, instalamos a comissão e começamos os trabalhos.”
De acordo Rose de Freitas, a partir da leitura do requerimento nesta quinta, os parlamentares terão até a meia-noite para aderir ou retirar a assinatura.

Copom corta taxa de juros para 9% ao ano, menor nível em dois anos

              O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniu nesta quarta-feira (18) e decidiu baixar a taxa básica de juros da economia brasileira de 9,75% para 9% ao ano, em um novo corte de 0,75 ponto percentual. Com isso, os juros caíram ao menor nível desde abril de 2010 (8,75% ao ano - mínima histórica, que vigorou entre julho de 2009 e abril de 2010). Esta foi a sexta redução consecutiva da taxa.
Selic a 9% (Foto: Editoria de Arte/G1)
A decisão do Banco Central confirmou a expectativa de parte expressiva dos economistas do mercado financeiro. A aposta dos analistas dos bancos tem por base sinalização da própria autoriadade monetária, que informou, em março, que atribuía "elevada probabilidade" à concretização de um cenário que contempla a taxa de juros caindo para "patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando".
Com base nesta declaração do BC, o mercado passou a acreditar que este será o último corte de 2012 e que um novo movimento na taxa básica da economia acontecerá somente em abril do ano que vem – quando a taxa subirá, segundo os analistas, para 9,5% ao ano. Em julho do ano que vem, a taxa avançaria para 10% ao ano, acreditam os economistas dos bancos.
Explicação
Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: "O Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária. Diante disso, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 9% a.a., sem viés".
Sistema de metas de inflação
Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o IPCA. Para 2012 e 2013, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% neste ano, visto que, em 2011, a inflação ficou em 6,5% – no teto do sistema de metas. Para o IPCA deste ano, a previsão dos analistas dos bancos está em 5,08% e, para 2013, a previsão do mercado está em 5,50%. Já o Banco Central estimou, no fim de março, um IPCA ao redor da meta central de inflação (4,5%) para este ano e, para 2013, acima de 5%.
Cenário econômico
De acordo com economistas, uma série de fatores possibilitou ao Banco Central prosseguir baixando os juros. A avaliação do mercado financeiro é de que a crise financeira internacional, que impacta para baixo o nível de atividade da economia brasileira e mundial, juntamente com o recuo dos preços das "commodities" (produtos básicos com cotação internacional), tendem a gerar menos pressões inflacionárias no Brasil – possibilitando a continuidade dos cortes nos juros por parte do BC.
Além disso, indicadores econômicos recentes confirmaram que a recuperação econômica buscada pelo governo, após o PIB ter registrado crescimento de 2,7% em 2011, ainda não mostrou sinais mais fortes. A prévia do PIB, calculada pelo próprio BC, registrou queda pelo segundo mês consecutivo. Além disso, a criação de empregos formais recuou 24% no primeiro trimestre deste ano. E o IPCA, usado como referência no sistema de metas de inflação, subiu apenas 0,21% em março - menor desde julho de 2011, quando somou 0,16%..
Caderneta de poupança
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) avaliou recentemente que um recuo mais forte da taxa de juros, abaixo de patamares mínimos já registrados (8,75% ao ano), poderia comprometer a chamada "rolagem" da dívida pública, que é a emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo.
"A conta é simples: com a Selic na faixa de 8,75%, um fundo DI com uma taxa de administração de 1% e rendendo algo como 98% do CDI, teria uma taxa de rendimento anualizada na faixa de 5,85% (líquida de IR, nesta caso à alíquota de 20%). Mesmo sem considerar a TR (já com uma taxa baixa a essa altura) o cupom fixo de 6% da caderneta de poupança (já liquido de IR) seria superior ao rendimento do Fundo DI", informou Febraban em estudo.
Rússia ultrapassa Brasil em ranking de juros reais
Levantamento do economista Jason Vieira, da corretora Cruzeiro do Sul, em parceria com Thiago Davino, analista de mercado da Weisul Agrícola, mostra que os juros reais estão, atualmente, após o corte de 0,75 ponto percentual na Selic, em cerca de 3,4% ao ano, abaixo da Rússia, que tomou a dianteira com 4,2% ao ano. A taxa média de juros de 40 países pesquisados na pesquisa está negativa em 0,6% ao ano.

Fortaleza registra dois crimes de 'saidinha bancária' nesta quarta-feiraA polícia registrou em Fortaleza mais dois crimes de "saidinha bancária" na tarde desta quarta-feira (18),

  A polícia registrou em Fortaleza mais dois crimes de "saidinha bancária" na tarde desta quarta-feira (18), segundo o comandante Polícia Militar no Ceará, Werisleik Matias. Nas últimas 24 horas, foram nove crimes do gênero.
Segundo o comandante da Polícia Militar, um dos crimes ocorreu no Bairro Montese, na tarde desta quarta-feira. O cliente havia sacado o valor de R$ 2 mil, foi perseguido por dois homens do banco até próximo à residência dele, onde foi abordado.

   O outro cliente teve roubado a quantia de R$ 58 mil após sacar o dinheiro na sede do Bradesco no Bairro Aldeota, por volta de 16h.
Na tarde de terça-feira (17), houve sete crimes de saidinhas bancárias no intervalo de três horas, de acordo com a a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops). Na terça-feira, os sete crimes somados roubaram o valor de R$ 36 mil.
Além das duas saidinhas, ocorreu também nesta tarde um crime de roubo a pessoa no Centro de Fortaleza, segundo o comandante da Polícia Militar. Um homem teve R$ 4.500 roubado próximo a um banco. O crime, no entanto, não se configura como saidinha bancária, de acordo com Werisleik Matias.

Agricultor constrói carro apelidado de 'caveirão' no sertão do Ceará

Agricultor constroi carro de madeira no Ceará (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)
A criação do agricultor Areudo Rodrigues, um carro com motor de motocicleta e feito de madeira, atrai olhares nas ruas do vilarejo de Santa Isabel, em Quixeramobim, no sertão central do Ceará. Os moradores batizaram o veículo de “caveirão” devido às semelhanças com o veículo do batalhão de operações especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro. "O apelido ficou. Todo mundo chama ele assim", diz Rodrigues.
Areudo Rodrigues  (Foto: TV Verdes Mares/ Reprodução)'Não fiz desenho', diz Rodrigues sobre a construção
do carro (Foto: TV Verdes Mares/ Reprodução)
"Fiquei muito feliz em ter na comunidade um conterrâneo com essa capacidade de criar", afirma o técnico em agropecuária Samuel Pinheiro, morador de Santa Isabel. O veículo tem até aparelho de DVD com duas caixas de som. A estrutura é de madeira, com revestimento de ferro na parte inferior. Os pneus e o motor são de motocicleta e o tanque comporta cinco litros de gasolina.
“Não fiz nenhum desenho ou rascunho, nem me baseei em outro modelo”, afirma Rodrigues que também é artesão. Por dois anos, ele dedicou as noites e as horas livres dos fins de semana, quando fechava sua oficina de conserto de móveis, para executar o antigo projeto de construir o veículo.
Rodrigues não contabilizou o custo da construção do “caveirão”, mas diz já ter recebido oferta de R$ 10 mil pela criação. “É um sonho que eu não vendo”, afirma. “Desde pequeno, tenho esse sonho de construir o meu próprio carro para brincar com ele”, diz o agricultor de 31 anos que já havia feito três tentativas antes de reiniciar o projeto de construir o veículo em 2009.
O criador pretende guardar o carro junto com outras invenções, bem-sucedidas ou não. A moto com motor de carro, por exemplo, não funcionou. “Vou guardá-lo de lembrança, mas quero mesmo é realizar meu outro sonho de possuir um carro de verdade”, afirma Rodrigues, que usa o veículo para se locomover dentro do município. “As pessoas ficam 'mangando' (rindo) quando eu passo, mas eu não me importo porque meu carro tem tudo que os outros têm”, diz apontando para o freio e os faróis.
Força da família
A mulher de Areudo Rodrigues, Jane Saldanha, conta que a família tinha vontade de possuir um automóvel. "A gente tinha vontade de possuir um carro, o dinheiro não dava e ele construiu o dele", disse.
caveirao (Foto: TV Verdes Mares/ Reprodução)Carro virou motivo de orgulho para família
(Foto: TV Verdes Mares/ Reprodução)
O pai de Areudo, Wilson da Silva, diz ter orgulho do filho. "Eu acho que é muita coisa, né? Pra mim é, e para ele também. O que eu desejo para ele é que ele continue desse jeito e vá crescendo cada vez mais", disse. A filha, Williane, 10 anos, já faz planos com o "caveirão". "Queria dar um passeio por Fortaleza, São Paulo, que eu nunca fui", diz.
Os vizinhos se admiram com a invenção. "Sabia que ele era inteligente, mas nesse tanto não. Está de parabéns", diz o comerciante Danilo Rocha.  O técnico em agropecuária, Samuel Pinheiro, diz ter ficado feliz pelo vizinho. "Fiquei muito feliz em ter na comunidade um conterrâneo com essa capacidade de criar, de fazer um carro desse e botar para rodar. Um cara da roça, agricultor e conseguir desenvolver um carro sozinho", afirmou.
 

Fósseis milenares e rastros da era jurássica esperam turistas no Ceará



Pontal de Santa Cruz, em Missão Velha  (Foto: Geopark Araripe/Divulgação)No No topo da serra do Araripe, em Santana do Cariri, o Pontal de Santa Cruz revela um dos mais belos cenários da região; área faz parte de um dos sítios de estudo paleontológicos.  (Foto: Geopark Araripe/Divulgação)
calendário turismo ceará cariri (Foto: Editoria de Arte/G1)

Roteiro de fé e caldeirão de manifestações culturais, a região do Cariri, no Sul do Ceará, é também um dos principais polos de estudos paleontológicos do país. Em uma programação de dois dias, o visitante pode conhecer parte das escavações e fósseis espalhados em seis das 11 cidades da região e ainda vai ter tempo para apreciar um museu paleontológico, pontos de peregrinação religiosa e a arte local.
Em meio ao verde da Floresta Nacional do Araripe, são nove sítios de estudo que formam o Geopark Araripe, integrante da rede mundial de geoparques criada pela Unesco. A viagem por registros da história da Terra pode começar pela Colina do Horto, a 3 km da cidade de Juazeiro do Norte, na porção norte da bacia sedimentar do Araripe. Na área da colina, onde fica a estátua do santo popular Padre Cícero, estão as pedras mais antigas do Geopark Araripe, com cerca de 650 milhões de anos.
A cerca de 550 m de altitude, na colina, é possível encontrar rochas de granito com manchas em pequenos cristais de cores preta, branca e rosa. Para fazer visitações dentro do Geopark é necessário agendar no site oficial. Os turistas têm de ser acompanhados por guias do parque, geólogos e biólogos.
Bichos e fósseis na cariri  (Foto: Geopark Araripe/Divulgação)No alto, o soldadinho-do-Araripe e embaixo, uma
libélula ''impressa''  na pedra há milhões de anos
(Foto: Geopark Araripe/Divulgação)
Depois da Colina do Horto, o roteiro segue para a cidade de Missão Velha. No geossítio Cachoeira, a 4 km da cidade, as águas do Rio Salgado deixaram desenhos em arenitos e há rastros de animais, os icnofósseis, preservados na rocha há quase 450 milhões de anos.
Na área, estão registros do aldeamento dos índios Kariri, do século XVIII, e é possível também percorrer um antigo caminho usado pelos primeiros colonizadores até a Fonte do Pinga. Local onde florescem espécies da caatinga como jatobá, aroeira, cedro e catingueira. Casas de pedra construídas pelos primeiros habitantes da região rodeiam o lugar. A área do geossítio tem ainda uma pequena barragem e as ruínas de um engenho de cana-de-açúcar.
Ainda em Missão Velha, o passeio segue até o sítio da Floresta Petrificada, uma grota com cerca de oito metros de rochas avermelhadas e arenito. Entre os seixos das rochas, ficaram pedaços de madeira petrificada. As pedras guardam fósseis de pinheiros de 145 milhões de anos, revelando que, na região, existiam colinas, florestas e rios. O visitante está, na verdade, no fundo de rios jurássicos.


O primeiro dia de viagem termina no Riacho do Meio. Uma área de vegetação densa, com belas trilhas que passam por duas fontes de águas cristalinas. Ponto para apreciar a fauna e a flora nativas do Araripe, com raras espécies, como o pássaro soldadinho-do-araripe. O bando de Lampião se escondia no local, na famosa ''pedra do morcego''.

O segundo dia reserva uma ida a uma passagem natural preservada na rocha sobre um estreito e profundo vale, produto da erosão da água e do vento nos últimos 50 milhões de anos em Nova Olinda, no geossítio Ponte de Pedra. Seguindo a trilha, é possível chegar até a "pedra do coruja" e a "pedra do castelo", indicadas para esportes de aventura como o rapel.
O roteiro termina em uma escavação parada que mostra fósseis como eles aparecem na natureza, no Parque dos Pterossauros. O preço das visitas depende do roteiro. Hospedagem e transporte ficam por conta do visitante. O Cariri cearense ocupa uma área de 6.342,3km² correspondente aos municípios de Abaiara, Barbalha, Brejo Santo, Crato, Jardim, Juazeiro do Norte, Mauriti, Milagres, Missão Velha, Porteiras e Santana do Cariri.
Sítios palenontólogicos do Cariri (Foto: Geopark Araripe/Divulgação)Sítios que podem ser vistos em dois dias no Cariri, no sentido horário: Floresta Petrificada, Ponte de Pedra, Parque dos Pteurossauros, as águas e a flora de Cachoeira e o Riacho do Meio (Foto: Geopark/Divulgação)


Museu
De acordo com o professor e paleontólogo Álamo Feitosa, o “apego” aos estudos paleontológicos no Cariri começou há 23 anos, quando o então prefeito da cidade de Santana do Cariri, Plácido Nuvem, decidiu fazer o Museu de Paleontologia, administrado pela Universidade Regional do Cariri (Urca). Segundo o professor, o prefeito acreditava que o estudo dos fósseis tinha potencial turístico.
Entrada no Museu de Paleontologia é gratuita (Foto: Elisângela Santos/Agência Diário)Entrada no Museu de Paleontologia é gratuita
(Foto: Elisângela Santos/Agência Diário)
“Esta é uma terra rica para se estudar paleontologia, agora mesmo acabo de concluir uma escavação em Brejo Santo onde recolhemos 200 peças do período jurássico”, disse Feitosa, ansioso para encaminhar a nova coleção ao museu. As primeiras peças do museu foram doações de moradores que encontravam os fósseis em terrenos e plantações. Com entrada gratuita, somente em 2011, o museu recebeu 14 mil visitantes.
Réplicas de bichos e fósseis de plantas, moluscos, peixes, anfíbios, crocodilos, tartarugas e insetos podem ser apreciados entre as 10 mil peças no museu. Todos com idade entre 100 milhões e 140 milhões de anos.
Couro e moda
O chamado “Oásis do Sertão” cearense também é famoso pela riqueza dos artigos em couro. O produtor Expedito Seleiro, 72 anos, confecciona peças em couro desde os oito anos de idade. “Comecei com meu pai, ele me ensinou e eu melhorei o serviço, porque naquela época se fazia artigo para vaqueiro, com material grosseiro feito de couro cru”, conta Seleiro, que herdou apenas uma máquina de costura do bisavô e faz todo o trabalho final à mão.
espedito seleiro  (Foto: Espedito Seleiro/Arquivo Pessoal)Couro vira bolsas, gibões e sapatos nas mãos de
Seleiro. (Foto: Espedito Seleiro/Arquivo Pessoal)
Atualmente, o produtor emprega seis filhos e cinco irmãos. Mais do que garantir a sobrevivência da família, a produção de peças em couro é um estilo de vida. Sapatos, bolsas, chaveiros, gibões, sandálias, tudo no dia a dia da família. “Estou repassando isso para meus filhos, não tenho herança, deixo o meu trabalho”, afirma. Quem vai a Nova Olinda não tem dificuldades em encontrar a conhecida oficina.
Famosos como Luciano Huck e Dominguinhos já passaram pela oficina de Expedito Seleiro, tiraram fotos e usaram as peças, segundo Seleiro. A produção da família já foi exportadas para o exterior e para outros estados brasileiros, como Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo o artesão, os preços dos artigos em couro variam de R$ 1,00 (chaveiro) a R$ 1.300,00 (gibão ao estilo de Luiz Gonzaga).
guia turismo ceará (Foto: Editoria de Arte/G1)
Mestre Noza
Quem quer conhecer a riqueza da produção artesanal do Cariri encontra diversas amostras em um só lugar, a Associação dos Artesãos de Juazeiro do Norte Mestre Noza. Com 28 anos de existência, o nome da associação homenageia um dos mais antigos Inocêncio Medeiros da Costa, o Mestre Noza. Pernambucano, o escultor e xilogravurista foi a Juazeiro do Norte em 1912 como romeiro e acabou ficando na cidade.
Segundo o tesoureiro da instituição, Aparecido Gonzaga Alves, cerca de 900 peças estão expostas no local. Peças antigas feitas de madeira, argila, couro e até metal fazem parte do acervo fixo da instituição. “São peças dos artesões mais antigos e dos que já morreram. Estas são apenas para expor, não estão à venda. Mas temos artesãos de todo o Cariri produzindo e vendendo peças aqui”, afirma Costa, explicando que a associação já exporta peças para Estados Unidos, Portugal e Alemanha.
Associação conta, atualmente, com 142 artesãos com idades que variam entre 12 e 82 anos. As esculturas em madeira são as mais populares, principalmente, as de referência religiosa. O centro de artesanato abre todos os dias das 8h as 18h. A entrada é franca.
Irmãos Aniceto e grupos folclóricos
O visitante do Cariri também não pode deixar de conhecer os grupos folclóricos. Entre eles, os Irmãos Aniceto. Segundo o presidente da Fundação Mestre Elói, Catulo Teles, o forró pé de serra é a especialidade do grupo, formado por cinco parentes e um sexto mestre na posição de reserva: Raimundo, Antônio, Ciço, Jeová, Adriano e Ugui.
De acordo com Teles, os Irmãos Aniceto se apresentam cerca de três vezes por mês na cidade do Crato, a 506 km de Fortaleza. E, com exceção de Roraima e Acre, já se apresentaram em todos os estados brasileiros, além dos países França e Portugal. Fundado no século XIX por um descendente de índios, o grupo está na terceira geração.
Teles explica que o trabalho da família é autoral, só abrem exceções no repertório para hinos e Luís Gonzaga. Longe do glamour que cerca os grandes astros da música, os irmãos são trabalhadores da roça. Sons de animais e pássaros são inspirações para tirar o som da zabumba, pifes, caixa e pratos. Já as letras tratam do cotidiano no sertão.
Aproveitando a passagem pelo Crato, os visitantes podem ainda conhecer o trabalho da Fundação Mestre Elói, que reúno 39 grupos folclóricos e organiza um calendário especial de apresentações anuais.
Mapa de turismo da Região do Cariri (Foto: Editoria de Arte / G1)

Casal teve 38 filhos e batizou 19 deles no mesmo dia, em Ubajara (CE)


casal tem 38 filhos no CE (Foto: Caroline Alexandre/Arquivo pessoal )Francisco e Raimunda, com filhos e netos que ainda moram com o casal: 13 dos 14 filhos homens têm 'Ricardo' no nome. (Foto: Ilo Aguiar/G1 CE)
Aos 66 anos, o mestre de obras aposentado Francisco Ricardo de Souza teve 38 filhos com a companheira com quem vive há mais de três décadas, Raimunda de Assis Coelho. Moradores de Ubajara, a 312 km de Fortaleza, o casal conta que realizou a cerimônia de batismo de todos os filhos e netos no mesmo dia na igreja católica da cidade, em dezembro de 2009, com direito a festa em família.
Antes da foto, Souza penteou os cabelos e Raimunda pôs o melhor vestido (Foto: Caroline Alexandre/Colaboração)Pais, ao lado da filha Alessandra, e do caçula
Mateus, de 8 anos. (Foto: Ilo Aguiar/G1 CE)
A diferença de idade entre a filha mais velha do casal, Alessandra, 32, e o mais novo, Mateus Ricardo, é de 24 anos. Raimunda teve o último filho aos 55 anos e afirma ter feito o parto de todas as crianças sozinha, em casa.
Aposentado por motivos de saúde há quatro anos, o mestre de obras afirma que sustenta a casa com os R$ 2 mil que recebe. Para alimentar a parte da família que ainda vive com ele, são feitos cerca de 4 kg de arroz por dia, tudo preparado no fogão a lenha.
Sentindo-se com 17 anos e afirmando que a companheira parece ter 14, Souza diz ainda ter muito para viver, mas não pretende mais ter filhos. “Agora não da mais não. Não tem mais condições”, diz . Atualmente, cinco netos são criados pelo casal. Os outros moram com os pais. Somente Alessandra, filha mais velha do casal, tem cinco filhos, mas deixa bem claro que "de jeito nenhum" seguirá os passos dos pais.
Começo
O pai conta que foi morar com a companheira, logo que ela engravidou do primeiro filho. “Nem lembro mais com que idade, tínhamos vinte e poucos anos. Nosso primeiro filho devia ter 38 anos, mas morreu”, lamenta. Não é fácil para Souza lembrar do nome de todos os filhos. Só lembra que dos 14 filhos homens sobreviventes, 13 também levam Ricardo no nome em homenagem ao pai. “Só não Sebastião, não sei porque ele não se chama Ricardo”, diz Souza.
   Souza afirma já ter pedido esmolas para sustentar a família. “Dificuldade foi só o que teve na minha vida”, afirma Souza sem perder o ânimo, mesmo ao contar que 19 dos 38 filhos morreram ainda bebês.
Ele conta que teve de pedir esmolas porque ficou muito doente e passou por uma cirurgia quando a companheira teve o quarto filho. Mesmo com problemas para sustentar a família, Souza afirma que todos os filhos vão à escola. “Meus filhos mais velhos já terminaram o segundo grau, um orgulho”, diz o aposentado que só estudou até o quinto ano do ensino fundamental.
Para comemorar o batismo coletivo, em 2009, Souza fez festa com direito a serviço de filmagem e fotografia, mas os registros foram emprestados e nunca mais voltaram às mãos da família.

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